Bad Bunny no Super Bowl: O "Chá Revelação" da América e o Poder da Arte Latina
- Crica Monteiro
- 23 de fev.
- 3 min de leitura
Você sabia que a América é um continente? Parece uma pergunta óbvia de geografia, mas o que vimos no palco do Super Bowl 2026 foi um verdadeiro "chá revelação" da nossa identidade para o mundo. O artista porto-riquenho Bad Bunny não apenas subiu ao palco para cantar; ele deu uma aula de história e geografia em horário nobre para estadunidense ver.
Como artista visual, não consigo olhar para um espetáculo desses apenas como entretenimento. Para mim, a arte é um instrumento de defesa. Ela traz luz para histórias e vivências que muitos preferem ignorar.

A Arte como Denúncia e Poder Econômico
É impossível ignorar o contexto político. Bad Bunny foi convidado pela NFL em um momento onde os EUA vivem tensões profundas. Sabemos que grande parte do seu público — a comunidade latina — enfrenta riscos reais devido a políticas de imigração e ao ICE. Por isso mesmo, Benito não havia feito turnê pelo país anteriormente.
Mas nada acontece por acaso.
Existe uma engrenagem financeira aqui: a cultura latina se tornou um artigo de desejo global. Nós somos muitos, consumimos muito e movimentamos bilhões. Quando um artista decide usar esse espaço como ferramenta de denúncia e empoderamento de povos marginalizados, ele está mandando um recado: não pediremos licença para ocupar espaços que também são nossos.

Um Canavial, o Espanhol e o Orgulho de Ser Latino
A apresentação foi riquíssima em simbologia. O cenário, remetendo a um canavial, fala diretamente sobre a história de exploração do território de Porto Rico e de tantos outros países vizinhos.

Se essa apresentação fosse de um artista brasileiro, contando a nossa história com esses mesmos elementos, não seria mera coincidência. O território latino-americano compartilha as dores da colonização e o orgulho da resistência.
Cantar o show inteiro em espanhol e estampar as bandeiras de todos os países do continente americano foi um ato didático. Em um país que convive com discursos xenofóbicos, Bad Bunny usou o palco da NFL para causar o incômodo necessário. Ele lembrou ao mundo que Porto Rico é território estadunidense e que a América é um continente, não um país.

O Mercado de Olho em Nós (E Minha Experiência com a NFL)
Empresas gigantescas não convidam artistas latinos apenas por "bondade". Elas sabem que precisam formar novos públicos e fidelizar quem já consome. O modelo de negócio do esporte entende que é melhor ter a força latina como aliada do que ignorar sua existência.
Eu senti isso na pele. Aqui em São Paulo, fui uma das artistas convidadas para pintar murais nas ativações que a NFL promoveu em 2024 e 2025. Existe um movimento de retratamento histórico acontecendo. O povo colonizado agora tem feito um movimento de retomada, e quem tem voz não vai perder a oportunidade.


A Arte Visual como Voz e Inspiração
Ver Benito Antonio Martínez Ocasio (o Bad Bunny) ocupar aquele espaço me inspira a dar ainda mais força às artes visuais. É por isso que precisei desenhar esse momento. A nossa cultura sempre permanecerá viva porque somos um povo autêntico, vibrante e, acima de tudo, resistente.

A arte comunica o que as palavras, às vezes, não alcançam. E você, o que pensa sobre tudo isso? Acredita que a arte pode realmente ser a ferramenta mais poderosa para mudar a percepção política de um povo?
Me conta aqui nos comentários!




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